Colheita da soja deve registrar perdas inferiores a 1 saca por hectare

Colheita de soja. Foto: Shutterstock.

Saiba como melhorar o manejo da lavoura e os ajustes das colhedoras para maximizar o rendimento dos grãos

Todo o trabalho do agricultor ao longo da safra de soja é recompensado na hora da colheita. Os cuidados com o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas se refletem na sanidade da lavoura e, consequentemente, na qualidade e quantidade dos grãos colhidos. Ainda assim, para colher bem, o produtor deve ficar atento aos fatores climáticos e ajustes de maquinário para que os frutos de meses de trabalho não sejam desperdiçados.

De acordo com Enoir Pellizzaro, supervisor da área técnica da cooperativa C.Vale, as perdas aceitáveis podem chegar a, no máximo, até 1 saca de soja por hectare. É fundamental que o produtor monitore a colheita e, em caso de qualquer inconformidade, reavalie as condições da operação. “Se há perdas além do aceitável, o produtor tem que parar a colheita imediatamente e fazer todo o processo de readequação da regulagem da máquina”, diz Pellizzaro.

 

Maquinário

A regulagem das colheitadeiras deve ser cautelosa, levando em consideração as condições climáticas e do solo. “A oscilação de temperatura e umidade tem uma relação direta com a qualidade de debulha da vagem. Isso muda ao longo do dia e interfere na abertura de côncavo e do cilindro de trilha. Há a necessidade de fazer um acompanhamento constante da colheita e, havendo qualquer anomalia ou qualquer detecção de que as perdas estão aumentando, é preciso fazer uma outra regulagem da máquina”, explica Pellizzaro. A velocidade inadequada do molinete também gera perdas e deve ser monitorada.

 

Umidade do grão

Quando a soja é colhida com umidade inferior a 12%, os grãos sofrem perdas de qualidade e podem trincar. O risco de quebra de grãos é maior se forem utilizadas colhedoras com cilindros, enquanto que as máquinas mais modernas e com rotores são menos agressivas e reduzem danos e a quebra dos grãos. “Hoje temos no mercado máquinas com detectores de perdas e um bom aparato tecnológico de monitoramento para ajudar na colheita”, diz Pellizzaro.

Por outro lado, a umidade excessiva acelera o processo de deterioração dos grãos e pode favorecer a ocorrência de infecção por fungos. A alta umidade também exige a secagem dos grãos, o que encarece os custos de produção e armazenagem, e reduz os preços pagos ao produtor pela soja. Segundo Pellizzaro, vale a pena o produtor comprar um medidor de umidade de grãos e sempre colher a soja com umidade entre 12% e 18% (resgate medidor de umidade por pontos na Rede AgroServices, confira a oferta).

 

Evite o embuchamento

A possibilidade de embuchamento da colhedora tem relação direta com a quantidade de massa presente no campo, problema que gera falhas de colheita e perdas. É possível que ocorra embuchamento por palhada de culturas anteriores, por plantas de soja ou ervas daninhas. “No passado, o embuchamento era muito mais significativo porque as máquinas não tinham sistemas tão eficientes para triturar e eliminar a palha”, diz Pellizzaro.

Ainda assim, é preciso planejar a colheita priorizando áreas mais limpas e uniformes. O produtor deve avaliar o relevo e as condições de coberturas no solo. Quando houver a presença de palhada consistente de braquiária formando “touceiras”, por exemplo, a colheita tem que seguir um ritmo diferenciado. “Sempre que tiver um talhão com problemas, é preciso ajustar a área de colheita”, diz Pellizzaro.

A recomendação vale também principalmente em terrenos com declividade mais acentuada. De acordo com o supervisor da C. Vale, muitas colhedoras não são dotadas de peneira em nível. “Colhendo em área com declividade, muitas vezes a peneira não compensa esse desnível e a máquina acaba jogando fora uma parte significativa dos grãos. É preciso reduzir a área de colheita para evitar essas perdas”, afirma Pellizzaro.

Outra forte recomendação técnica da C. Vale é verificar a qualidade da barra de corte da máquina. “Posso dizer que as maiores perdas ocorrem antes da entrada da soja na máquina. A plataforma de corte é a parte mais importante. A barra de corte precisa estar em ótimas condições de operação para que façam o processo de corte dos pés de soja da melhor forma possível”, diz Pellizzaro.

 

Dessecação na hora certa

Segundo Pellizzaro, os produtores precisam melhorar o planejamento da dessecação, realizando a técnica no momento adequado. “A dessecação pré-colheita não é sinônimo de matar a soja. É um manejo utilizado para homogeneizar a massa orgânica que existe na área”, explica o supervisor da C. Vale.

O procedimento só deve ocorrer quando as vagens de soja estiverem totalmente desligadas da planta, antecipando em 7 a 10 dias a colheita. “Temos visto produtores antecipando demais essa entrada. O ideal é fazer dessecações programadas e no momento certo. Uma solução inteligente é fazer a dessecação em área menor do que a capacidade operacional das máquinas que o produtor tem”, diz Pellizzaro.

Para esse planejamento, o produtor deve observar atentamente o clima. A dessecação só deve ocorrer com previsão de tempo favorável. Quando houver previsão de chuvas, é melhor não dessecar a lavoura porque, assim, as plantas conseguem permanecer em campo sem a interferência da umidade por mais tempo.

De acordo com Pellizzaro, após a dessecação, caso a colheita não ocorra inicia-se o processo de deterioração dos grãos e consequentemente de muitos prejuízos. “A dessecação tem relação direta com a qualidade da colheita. O ideal é que o produtor consiga fazer um bom programa de dessecações, para que as máquinas consigam colher melhor e com menos perdas”, diz Pellizzaro.

 

Plantas daninhas

Pellizzaro pontua que a soja tolerante ao glifosato permitiu um grande avanço no manejo de plantas invasoras, facilitando também as operações de colheita. “O problema de embuchamento por planta daninha foi reduzido drasticamente”, diz. Mas o produtor não deve descuidar do manejo. Nesse quesito, a recomendação técnica da C. Vale é realizar a aplicação antecipada utilizando herbicidas residuais. “Os residuais ajudam de forma decisiva por causa da eficiência dos produtos. O produtor hoje tem consciência de que isso é extremamente importante”, diz o supervisor.

 

A boa colheita começa no plantio

O destino da safra é traçado quando a semente é depositada no solo. De acordo com Pellizzaro, o plantio adequado se reflete numa boa colheita. Por isso, a escolha de boas sementes, densidade de plantio adequada e tratamento de sementes são fundamentais. “A população de plantas tem uma interferência direta na possibilidade de acamamento e no resultado final da colheita”, diz Pellizzaro.

De acordo com Pellizzaro, a cooperativa C. Vale procura orientar os produtores associados durante toda a safra, oferecendo suporte técnico. “Estamos trabalhando bastante com Agricultura de Precisão e correção de solo”, conta Pellizaro. A C. Vale também desenvolve um trabalho de avaliação de variedades de soja que têm representatividade regional, análise de materiais genéticos, melhor época de plantio e densidade e tratamento de sementes.

 

Manejo antecipado

Desde 2003, a C. Vale preconiza a aplicação antecipada de fungicidas, com pulverização antes do fechamento das linhas de plantio. O objetivo dessa recomendação é conseguir que o defensivo químico atinja de forma eficaz a região do terço inferior das plantas e a distribuição do produto cubra a maior área foliar possível, seguindo sempre a orientação de bula e de posicionamento das empresas fabricantes. A C. Vale também preza e recomenda os cooperados a utilizar produtos de alta performance. “Com isso, essa planta vai sendo protegida principalmente no baixeiro, onde fica a fonte de todos os problemas”, diz o supervisor da C. Vale.

Essa orientação também vale para a pulverização de inseticidas, segundo Pellizzaro. “Um aspecto muito importante do manejo antecipado é não permitir que muitas pragas permaneçam presentes, especialmente o percevejo, que começa a lesionar as vagens e cria abertura para a entrada de doenças oportunistas. Isso tem uma influência direta na qualidade da soja produzida”, explica Pellizzaro.

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