Certificação agrícola promove melhorias em gestão da fazenda

Com produção sustentável e legalizada, o produtor tem mais segurança e credibilidade para conquistar novos mercados


A certificação da produção agrícola é um investimento que agrega valor ao alimento e eleva o status da fazenda para um patamar muito superior à média, garantindo que a atividade seja sustentável, respeite a legislação e adote boas práticas de responsabilidade social e ambiental. Com a aprovação de uma certificadora, o agricultor passa a colher um produto mais seguro e tem mais credibilidade para acessar novos mercados e valorizar a produção.

De acordo com Cristhiane Simioli, gerente de qualidade, monitoramento e processos da Aliança da Terra, certificar a fazenda é um caminho importante a trilhar. “A certificação é uma grande tendência de mercado. Para a soja, isso não é obrigatório, mas os produtores que têm certificação estão se preparando para uma tendência de mercado futura. O produtor tem segurança por trabalhar em respeito à legislação e ao meio ambiente, ele vai sair na frente e ter um produto diferenciado para entregar”, afirma a gerente. A Bayer auxilia produtores que desejam investir em certificação por meio da oferta de serviços que podem ser resgatados por pontos na Rede AgroServices, confira ofertas aqui.

Entre as ofertas uma boa opção é o Programa Valore, que dá suporte integral ao produtor por meio de consultoria técnica. “O objetivo do Programa Valore é preparar a fazenda para adotar boas práticas e conquistar a certificação. Orientamos o produtor nas adequações necessárias em sua propriedade até estar apta a alcançar uma certificação, além de acompanhar todo o processo até a emissão do certificado”, explica Cristhiane. “Às vezes, o produtor não tem noção do que é uma certificação e quando ele recebe uma consultoria observa que isso não é um bicho de sete cabeças.”

                                                              

Por que certificar?

O benefício mais evidente da certificação é agregar valor ao produto agrícola e facilitar a comercialização. No entanto, as fazendas muitas vezes passam por transformações profundas para conquistar o certificado e o produtor também consegue dar um expressivo salto em gestão. “Algumas certificações exigem, por exemplo, controle do consumo de agroquímicos e combustível. Para ter um consumo sustentável dos insumos, o produtor precisa ter maior controle dos processos, uma melhor gestão”, diz ela.

Outra vantagem de grande importância é realizar adequações para que a atividade esteja integralmente dentro da legalidade. Com respeito à legislação, o produtor minimiza os riscos da atividade produtiva. “Se a fazenda receber a visita de um órgão ambiental ou passar por fiscalização, o produtor não vai ser autuado e não terá que pagar nenhuma multa porque está conforme, atendendo 100% a legislação”, explica Cristhiane.

 

Como implementar a certificação?

Há três modalidades de serviços do Programa Valore disponíveis na Rede AgroServices, com o objetivo de implementar a certificação, realizar monitoramento e auditoria externa.

Os serviços podem ser resgatados por produtores individuais ou através de parcerias com distribuidores e cooperativas. Quando a iniciativa parte de uma cooperativa, por exemplo, o atendimento tem início com uma palestra sobre certificação para os cooperados e, após a identificação dos produtores que aderirem ao programa, as visitas de campo são agendadas. O plano de adequações e prazos vão depender do ritmo de trabalho do grupo de produtores formado.

Já o produtor individual que resgata o serviço na Rede AgroServices não precisa esperar por ninguém, sendo logo atendido para iniciar a implementação da certificação. A equipe técnica entra em contato com o produtor para agendar a primeira visita de campo. “Na primeira visita vamos fazer todo o levantamento do histórico da propriedade, perfil ambiental e social e produtivo. O produtor tem que nos mostrar todo o passivo da fazenda, vamos percorrer as áreas da propriedade e checar a documentação. Avaliamos mais de 114 indicadores, um verdadeiro raio-x da propriedade”, conta Cristhiane.

Na segunda etapa da implementação, a equipe retorna à fazenda para apresentar o resultado da avaliação. “Com os dados fornecidos pelo produtor associados a informações de sensoriamento remoto a que temos acesso, vamos gerar um diagnóstico socioambiental que apresentamos para o produtor. Em todos os pontos em que ele está não conforme ou parcialmente conforme recomendamos adequações e traçamos um plano de ação”, explica Cristhiane.

A partir desse momento, o trabalho exige o comprometimento do produtor e colaboradores da fazenda para conseguir colocar em prática as recomendações da consultoria. Segundo a gerente da Aliança da Terra, embora a execução do plano de adequações fique sob a responsabilidade do produtor, ele continua contando com o apoio técnico dos consultores. “Não executamos as adequações, mas orientamos o produtor em todo o processo. Temos um material de suporte muito completo que é oferecido ao produtor, que conta com planilhas de gestão e cartilhas educativas, por exemplo”, explica Cristhiane.

Posteriormente, a equipe de consultores retorna à fazenda para realizar uma auditoria interna e avaliar se as adequações na fazenda foram efetivas e já é possível conquistar a certificação. Caso a consultoria julgue que o produtor está apto, recomenda-se a contratação do serviço de auditoria externa (confira ofertas para resgate na Rede AgroServices aqui) e abrir as porteiras da fazenda para receber a visita da empresa certificadora e ser avaliado.

 

Monitoramento

Em média, o processo de mudanças e certificação leva entre 4 e 12 meses. Quando as adequações exigem um investimento em infraestrutura e a mudança é custosa, por exemplo, o processo pode levar mais tempo, a depender do capital disponível pelo produtor. Nesse caso, o agricultor pode optar por resgatar o serviço de monitoramento na Rede AgroServices, para dar continuidade à consultoria e receber um maior número de visitas. “Com o monitoramento, o produtor que não conseguiu atingir a certificação no primeiro ano tem um prazo maior. Em novas visitas nós verificamos o que foi feito e se a fazenda está preparada para a auditoria externa”, diz Cristhiane.

O serviço de monitoramento também é indicado para fazendas já certificadas, quando o produtor deseja manter a certificação e precisa se preparar para uma nova auditoria. O certificado Round Table on Responsible Soy (RTRS), por exemplo, tem validade de 5 anos, mas a fazenda ou o grupo de propriedades precisam ser auditados anualmente para manter a certificação. Já o Cefetra Certified Responsible Soya Standard (CSR), por exemplo, tem validade anual.

De acordo com Cristhiane, se fazenda deixar de atender alguns parâmetros avaliados, o produtor pode perder a certificação. Por isso, é fundamental ficar atento e manter o padrão de qualidade. No caso do RTRS, por exemplo, para ser aprovado e conquistar a certificação, a fazenda deve ser aprovada em 62% dos parâmetros avaliados no primeiro ano. Para continuar com a certificação pelo segundo ano consecutivo, a exigência é atingir 86% de parâmetros aprovados. A partir do terceiro ano, somente as fazendas que aprovadas em 100% dos parâmetros RTRS continuam certificadas. “A certificação se torna mais exigente ao longo dos anos, por isso é necessário o comprometimento com a melhoria contínua da propriedade”, diz ela.

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COPYRIGHT © REDE AGRO S.A - Última atualização: 09/10/2019 (1.0.19412)